A Azul Linhas Aéreas reuniu representantes do trade turístico, parceiros comerciais e executivos da companhia na noite de quarta-feira, 28 de outubro, em São Paulo, para mais uma edição do Azul Onboard. O encontro, que integra uma série de eventos realizados em diferentes cidades brasileiras, foi uma oportunidade para apresentar os bastidores da operação, compartilhar estratégias e aproximar os profissionais que comercializam os produtos da companhia das equipes responsáveis pelas decisões. Mais do que anunciar novidades, a proposta foi mostrar como a Azul pretende fortalecer sua atuação no mercado em um momento de reorganização, retomada de investimentos e atenção redobrada à experiência dos passageiros.
A abertura ficou a cargo de Ricardo Bezerra, gerente geral de inteligência comercial, acompanhado de Pascoal Brusius, que passou a integrar a gerência comercial. Em um ambiente descontraído, os dois destacaram a importância do relacionamento com agentes de viagens, operadores e demais parceiros. São Paulo recebeu uma edição especial do encontro, que já passou por Cuiabá e Porto Alegre e tem outras cidades previstas no roteiro. Para 2027, a companhia estuda possíveis mudanças no formato e nas praças contempladas.
Uma nova fase para a Azul
Fábio Campos, vice-presidente institucional e comercial da Azul, abordou os desafios enfrentados pela companhia nos últimos anos e apresentou as prioridades da nova etapa. Segundo ele, a reestruturação iniciada em 2025 foi além da questão financeira e envolveu uma revisão da frota, dos contratos e das relações comerciais.
“Em 2025 a gente tomou a decisão de reestruturar a companhia, e não foi só reestruturar a companhia financeiramente, foi reestruturar a companhia como um todo”, afirmou.
Fábio também reconheceu que as dificuldades recentes afetaram investimentos em produtos e serviços, especialmente nos voos internacionais. Agora, a estratégia inclui a renovação da experiência de bordo, o fortalecimento do atendimento e a recuperação da proximidade com os parceiros comerciais.
“Paramos de investir em produto. Pecamos nos nossos voos internacionais. E, para isso, eu tenho que dizer a vocês, eu peço desculpas, porque eu sei que isso impactou vocês também, mas a boa notícia é que isso acabou”, declarou.
Entre as iniciativas citadas estão o Azul Comfort, as melhorias no Espaço Azul e a ampliação dos serviços de concierge para passageiros de maior valor. O executivo também fez questão de reposicionar a relação com o trade. “Na nossa nova visão, vocês não são um intermediário, não são um parceiro, vocês são uma extensão da Azul”, afirmou. Para colocar essa estratégia em prática, a empresa está reforçando sua estrutura comercial. Pascoal Brugios, que veio do mercado financeiro, destacou que pretende trabalhar com dois pilares: resultado e relacionamento.
“Os dois R’s de resultado e relacionamento. Hoje eu vejo que a Azul está buscando melhorar o seu resultado e melhorar o seu relacionamento”, resumiu.
Ricardo, por sua vez, explicou que a segmentação comercial continuará sendo utilizada para oferecer atendimento mais direcionado aos diferentes perfis de parceiros, enquanto sua atuação estará concentrada em inteligência, tecnologia, estratégia e suporte às vendas.
Mais conforto e serviços diferenciados a bordo
Entre as novidades apresentadas, o novo Espaço Azul ganhou destaque por ampliar os benefícios oferecidos aos passageiros que buscam uma experiência diferenciada nos voos domésticos. O produto mantém o conceito de assentos com mais conforto, mas acrescenta serviços como embarque prioritário, opções ampliadas de alimentação e compartimentos de bagagem reservados para os passageiros das primeiras fileiras contempladas. A proposta é atender especialmente quem viaja a trabalho e valoriza praticidade, sem transformar o espaço em uma cabine independente.
Outro investimento é o Hub Azul, plataforma voltada à capacitação e ao relacionamento com agentes de viagens. O ambiente reúne informações sobre produtos, treinamentos e campanhas comerciais, além de prever mecanismos de pontuação e premiação. A ferramenta pretende alcançar também os agentes que não mantêm relacionamento comercial direto com a companhia, ampliando o acesso às informações necessárias para a venda.
Fretamentos e viagens em grupo ganham atenção
Isabella Lessa, responsável pela área de grupos e fretamentos, apresentou soluções que permitem personalizar viagens de acordo com as necessidades de empresas, operadores e organizadores de eventos. Entre as possibilidades estão o fretamento de aeronaves para destinos que não fazem parte da malha regular e a contratação exclusiva de voos, além de conexões organizadas para reunir passageiros de diferentes cidades.
“A gente pode fretar qualquer avião, a gente pode fretar para qualquer destino, a gente não fica limitado às bases onde a Azul opera”, explicou.
No segmento de grupos, considerado a partir de dez passageiros, a empresa oferece tarifas negociadas e ferramentas para facilitar a gestão das reservas. Uma das novidades previstas para o início de 2027 é a atualização do portal de grupos, que deverá incorporar a negociação de produtos internacionais online, ampliando a autonomia dos agentes de viagens.
Pernambuco mostra sua força no turismo de lazer e eventos
O Azul Onboard também abriu espaço para a promoção de destinos turísticos. O estado de Pernambuco participou do encontro com representantes do governo estadual, reforçando a parceria com a companhia aérea e a importância da conectividade para o desenvolvimento do turismo. Diogo Beltrão destacou o papel da Azul na ligação de Recife com diferentes cidades brasileiras e no fortalecimento da comercialização do destino.
“Pernambuco e Azul caminham muito juntos e a gente está aí de braços abertos para receber vocês”, afirmou.
Recife e Olinda foram destacadas pelo patrimônio histórico, pela cultura e pela gastronomia. Já Porto de Galinhas, Praia dos Carneiros e Fernando de Noronha apareceram como opções para viagens de lazer, celebrações e casamentos. O turismo de negócios e eventos também teve espaço, com a apresentação da infraestrutura disponível no Recife e de iniciativas para atrair congressos, convenções e viagens de incentivo.
Malha aérea: a força da conectividade regional
Responsável pelo planejamento da malha aérea da Azul, Beatriz Barbi apresentou os critérios que orientam a escolha de destinos e frequências, destacando a importância da diversidade da frota para atender mercados de diferentes portes. Segundo os dados apresentados pela executiva, a Azul opera cerca de 900 voos por dia e atende 137 aeroportos, incluindo cidades que não recebem voos regulares de outras companhias.
“A gente trabalha a nossa malha muito mais do que pontos, muito mais do que aeroportos”, afirmou.
Beatriz explicou que a combinação de aeronaves de diferentes capacidades permite à companhia atuar tanto nos grandes centros quanto em destinos regionais, criando conexões que atendem ao turismo e às viagens corporativas. A estratégia passa pelos três principais hubs, Campinas, Belo Horizonte e Recife, além de cidades consideradas pontos importantes de conexão, como Cuiabá e São Paulo. Em Campinas, a companhia destacou uma operação com aproximadamente 150 voos diários e 65 destinos diretos. Em Guarulhos, são cerca de 32 voos por dia, com investimentos na conectividade internacional e na oferta de destinos durante a alta temporada.
Outro ponto abordado foi a ampliação da presença em Congonhas, aeroporto estratégico para o público corporativo. A executiva também destacou a importância das parcerias internacionais, que permitem ampliar as possibilidades de viagem para além dos destinos operados diretamente pela Azul.
Experiência do cliente e fidelização no centro das decisões
A experiência do passageiro também ocupou parte importante da programação. Bete Antunes, diretora de comissários e responsável pela área de experiência do cliente, apresentou a filosofia de atendimento da companhia e ressaltou que a qualidade do serviço depende tanto de investimentos quanto da cultura interna. Ela relembrou episódios da trajetória da empresa e destacou a importância do relacionamento humano na operação.
“A missão da Azul sempre foi servir”, afirmou.
A executiva explicou que a companhia acompanha semanalmente os indicadores de satisfação e destacou a evolução do NPS, indicador utilizado para medir a recomendação dos clientes. Segundo os números apresentados, o índice geral se aproximou de 60 pontos, após uma recuperação de 25 pontos ao longo do ano. A fidelização também ganhou destaque na apresentação de Giulia Allevato, gerente sênior de produtos do Azul Fidelidade, programa anteriormente conhecido como TudoAzul. Com 21 milhões de participantes cadastrados, segundo os dados apresentados no evento, o programa busca ampliar sua atuação para além do acúmulo e resgate de pontos.
Entre as novidades está o Diamante Unique, categoria voltada aos passageiros de maior relacionamento com a companhia, com benefícios como franquias adicionais de bagagem, possibilidades de upgrade e passagens de cortesia, conforme as condições do programa. A proposta é transformar a fidelidade em uma experiência mais completa, estimulando o passageiro a manter seu relacionamento com a marca.
Entrevista
Os bastidores das decisões da Azul e os planos para os próximos meses
Após as apresentações, Ricardo Bezerra e Beatriz Barbi participaram de um bate-papo com jornalistas especializados em turismo e aviação. Durante a conversa, os executivos abordaram os desafios da companhia, a aproximação com os agentes de viagens, os investimentos em tecnologia e as perspectivas para a expansão da malha aérea.
Por que apresentar aos parceiros comerciais áreas da Azul que normalmente atuam nos bastidores?
Ricardo: “A ideia realmente era falar um pouco. Às vezes, as pessoas não sabem o que está acontecendo ali dentro.” O executivo explicou que apresentar o planejamento de malha, a experiência do cliente e o programa de fidelidade ajuda os parceiros a compreender como a companhia trabalha e de que maneira as decisões são tomadas.
A aproximação com os agentes de viagens tem sido uma prioridade. O que mudou nessa relação?
Ricardo: “Quando a gente saiu no mercado para escutar, escutou: ‘Olha, a gente percebe vocês um pouco longe da gente’.” Segundo ele, a companhia entendeu a necessidade de ampliar o diálogo presencial, realizar visitas e transformar as sugestões recebidas em melhorias. “Há mais de um ano a gente vem fazendo isso e vem funcionando muito bem.”
Como o Hub Azul contribui para esse relacionamento?
Ricardo: A plataforma permite alcançar o agente de viagens que está na ponta, vendendo diretamente ao consumidor, mesmo quando não possui contrato comercial com a companhia. A proposta é oferecer treinamentos, informações e campanhas de incentivo. Segundo o executivo, o Hub já reúne mais de mil inscritos e deverá ganhar novas ações de premiação.
Com o dólar elevado e a pressão sobre o preço do combustível de aviação, como a Azul avalia a manutenção e a expansão de sua malha?
Beatriz Barbi: “A gente, assim como qualquer outra companhia aérea, está atento a todos os movimentos de mercado.” A executiva explicou que o planejamento considera demanda, custos e sazonalidade. A diversidade da frota, segundo ela, permite ajustar a oferta de acordo com o comportamento dos passageiros e as condições de cada mercado.
Para onde a Azul está olhando quando pensa em novas oportunidades de rotas?
Beatriz Barbi: A executiva destacou as oportunidades no turismo doméstico, especialmente em destinos do Nordeste, da região Norte e em mercados ligados ao ecoturismo. Entre os exemplos mencionados estão conexões como Recife e Florianópolis e Recife e Foz do Iguaçu, além de oportunidades relacionadas à Amazônia, a Bonito e ao turismo de pesca. Ela também ressaltou o uso de tecnologia para compreender melhor as preferências dos passageiros e identificar oportunidades de acordo com a sazonalidade.
“Inovar não necessariamente significa expandir e crescer sem sentido”, afirmou, ao explicar que o objetivo é identificar onde existe demanda e como a companhia pode atendê-la de maneira sustentável.
Uma estratégia que vai além dos voos
Ao reunir diferentes áreas da empresa em um mesmo evento, a Azul procurou mostrar que sua próxima etapa de crescimento depende de uma combinação de fatores: conectividade, eficiência operacional, relacionamento comercial e experiência do passageiro. Para o mercado turístico, a mensagem foi de aproximação. Mais do que ampliar a oferta de destinos, a companhia quer melhorar a comunicação com quem vende seus produtos e transformar o conhecimento sobre a operação em novas oportunidades de negócios. Em um setor marcado por desafios constantes, especialmente os custos operacionais e as oscilações de demanda, a capacidade de ouvir o mercado e adaptar a oferta será tão importante quanto a abertura de novas rotas.
