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Brasil e China querem ampliar fluxo de turistas entre os dois países

Brasil e China estão de olho em uma nova fronteira para o turismo. Durante a ABAV Expo 2026, realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, representantes dos dois países se reuniram no primeiro Dialogue China-Brazil, encontro criado para discutir caminhos para aumentar o fluxo de viajantes entre os dois lados do planeta.

E potencial não falta. Além do tamanho do mercado chinês, a aproximação ganhou impulso com a isenção de vistos para viagens de curta duração entre os dois países. Agora, o desafio passa por questões que vão da conectividade aérea à adaptação dos serviços para um público que tem hábitos, idioma e meios de pagamento bastante diferentes dos brasileiros.

O encontro lotou o espaço reservado durante a ABAV Expo. Na abertura, Song Wei, vice-diretor-geral do Centro da China de Intercâmbio Cultural Internacional e Promoção do Turismo, destacou que, embora Brasil e China tenham características muito distintas, há espaço para ampliar a integração e os intercâmbios culturais.

Para Ana Carolina Medeiros, presidente da ABAV Nacional, transformar esse interesse em viagens exige mais do que promoção turística.

“Estamos falando de um mercado estratégico, mas esse potencial só se transforma em fluxo quando conseguimos construir as condições para ele acontecer. Isso exige conhecimento sobre o viajante, capacitação do trade, conectividade, produtos adequados, distribuição e um receptivo preparado”, afirmou.

Entre os assuntos que ganharam destaque está justamente a necessidade de o turismo brasileiro entender melhor quem é e o que procura o viajante chinês. Isso inclui desde informações e sinalizações em mandarim até guias preparados, atendimento nos hotéis e adaptação de produtos turísticos.

O governo federal também vem reforçando essa aproximação. O Ministério do Turismo criou neste ano um Grupo de Trabalho de Turismo Brasil-China para coordenar ações, identificar destinos e experiências brasileiras com potencial para o mercado chinês, qualificar serviços e profissionais e analisar gargalos relacionados à conectividade e à infraestrutura turística.

Durante o encontro, Augusto Rocha, secretário nacional de Políticas Públicas do Ministério do Turismo, lembrou ainda iniciativas de aproximação comercial e a publicação de materiais voltados ao mercado chinês.

Em mensagem exibida em vídeo, o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, destacou também o Ano Cultural China-Brasil e apontou o turismo como instrumento de aproximação entre as duas populações.

Ge Lei, secretário-geral da Associação de Turismo da China, apresentou algumas dimensões desse mercado e destacou a importância da facilitação dos vistos. O turismo também ganhou espaço no 15º Plano Quinquenal de Desenvolvimento da China, com metas ambiciosas para os próximos anos.

O ex-ministro do Turismo e ex-presidente da Embratur Vinicius Lummertz completou o debate analisando as relações econômicas e históricas entre Brasil e China.

Na segunda parte do encontro, especialistas dos dois países passaram a discutir os obstáculos mais práticos dessa aproximação. Um dos painéis reuniu representantes da Universidade de Estudos Internacionais de Pequim, do Departamento Municipal de Cultura e Turismo de Pequim, da ABAV e da Embratur. Entre os temas apareceu com força a barreira do idioma, que pode estar presente desde uma placa em um atrativo até o atendimento de um guia ou a recepção de um hotel.

Conectividade aérea, experiência do viajante e facilitação de negócios foram os temas do painel que reuniu Fábio Mader, CEO da CVC; Marco Di Ruzze, vice-presidente do BRT Group; Guilherme Morais, country manager da UnionPay Brasil; e Zou Meiqi, vice-gerente de vendas da Air China Europe.

Os meios de pagamento estão entre os detalhes capazes de facilitar — ou complicar — uma viagem. Nesse aspecto, uma das novidades apresentadas foi a possibilidade de integração entre a carteira digital chinesa e o Pix brasileiro por meio da plataforma da UnionPay, tornando as transações mais familiares para turistas dos dois países.

O debate mostrou que aumentar a circulação de turistas entre Brasil e China dependerá de uma combinação de fatores: mais conhecimento sobre os dois mercados, capacitação de empresas e profissionais, serviços adaptados, facilidades de pagamento e melhores conexões aéreas.

A curadoria do primeiro Dialogue China-Brazil ficou a cargo da Imaginadora, agência especializada na promoção de destinos internacionais. Para Ana Donato, fundadora da empresa, compreender o comportamento e as necessidades do viajante chinês será essencial para aproximar distribuidores, mídia e consumidores.

O encontro aconteceu em 29 de setembro, durante a ABAV Expo 2026, em São Paulo, e colocou na mesma mesa governo, companhias aéreas, operadoras, entidades turísticas e especialistas. O objetivo final é simples de entender — embora bem mais complexo de colocar em prática: fazer com que mais chineses descubram o Brasil e que mais brasileiros coloquem a China no roteiro de suas próximas viagens.

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