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Costa do Marfim estreita laços com o Brasil e aposta no turismo para atrair mais viajantes

Foto: Magnific/Freepik

A Costa do Marfim quer entrar de vez no radar dos viajantes brasileiros. Esse foi um dos principais recados da terceira edição (primeira em São Paulo) do Dia Marfinense-Brasileiro, realizada na sede da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado, na capital paulista. Promovido pelo Escritório de Turismo e Lazer da Costa do Marfim no Brasil e pela Embaixada da República da Costa do Marfim no Brasil, o encontro reuniu representantes dos dois países, profissionais do turismo e da aviação, operadores, especialistas e integrantes da comunidade africana. A programação abordou turismo, conectividade, gastronomia, ancestralidade, cultura e oportunidades de cooperação entre Brasil e Costa do Marfim.

Basílica de Nossa Senhora da Paz, em Yamoussoukro. Foto divulgação @bureaudutourismebrasil

Mais do que divulgar um destino ainda pouco conhecido pelos brasileiros, o evento procurou mostrar um país diverso e preparado para receber visitantes internacionais.

A Costa do Marfim reúne cerca de 600 quilômetros de litoral, grandes áreas naturais, manifestações culturais de diferentes etnias, gastronomia própria e atrações como a Basílica de Nossa Senhora da Paz, em Yamoussoukro, considerada a maior do mundo. A cerimônia teve início com um ritual africano de boas-vindas conduzido pelo artista guineense Aboubacar Sidibe. A jornalista Márcia Santos, relações públicas do Escritório de Turismo e Lazer da Costa do Marfim no Brasil, e o empresário Noël-Hubert Mekan conduziram a programação.

Luis Sobrinho (consultor da InvestSP), Jennifer Curcio (diretora do Escritório de Turismo e Lazer da Costa do Marfim no Brasil), Diamounténé Alassané Zié (embaixador da República da Costa do Marfim no Brasil), Márcia Santos (jornalista e relações públicas do Escritório de Turismo e Lazer da Costa do Marfim no Brasil) e Noël-Hubert Mekan (empresário)

Um destino que quer ser mais conhecido no Brasil

O embaixador da República da Costa do Marfim no Brasil, Diamounténé Alassané Zié, destacou que os dois países mantêm relações diplomáticas há mais de cinco décadas e importantes trocas comerciais. Para ele, há espaço para levar essa aproximação também para o turismo.

Jennifer Curcio e Diamounténé Alassané Zié. Foto: divulgação

“A Costa do Marfim está preparada para receber o brasileiro”, afirmou o embaixador durante sua apresentação. Ele chamou a atenção para as semelhanças existentes entre os dois países, inclusive na gastronomia, e para a diversidade de experiências encontradas em território marfinense. O diplomata também defendeu uma aproximação maior com São Paulo, com intercâmbios e ações que estimulem viagens nos dois sentidos. “Tem muita coisa para fazer entre a Costa do Marfim e o Brasil”, resumiu.

Idealizadora do Dia Marfinense-Brasileiro, Jennifer Curcio, diretora de Turismo e Lazer da Costa do Marfim no Brasil, reforçou o propósito de ampliar o conhecimento dos brasileiros sobre seu país e apresentar uma África contemporânea, diversa e aberta ao turismo.

“Todo mundo é muito bem-vindo na Costa do Marfim. Vamos concretizar essa parceria”, convidou.

A secretária de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, Ana Biselli Aidar, destacou justamente o papel das viagens nessa aproximação. “O turismo vai além das viagens. É a troca cultural, o aprendizado que a gente pode ter por meio da cultura, da gastronomia e das histórias de cada país”, afirmou.

A secretária de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, Ana Biselli Aidar, sendo contemplada com uma escultura que representa as belezas da Costa do Marfim. Foto: Divulgação

Futebol virou porta de entrada para descobrir a Costa do Marfim

Uma das apresentações que melhor traduziu essa descoberta do destino veio de Abraão de Araújo, admirador da Costa do Marfim. Sua relação com o país começou ainda na adolescência, muito antes de colocar os pés no continente africano. O ponto de partida foi o futebol e a trajetória de Didier Drogba, um dos maiores ídolos esportivos do país. O interesse pelo jogador levou Abraão a pesquisar a história e a cultura marfinenses. Em 2024, ele finalmente viajou ao país para acompanhar a Copa Africana de Nações. A experiência foi além dos estádios.

Abraão conheceu moradores, experimentou o garba, prato popular preparado com attiéké e peixe, visitou Abidjan, Yamoussoukro e destinos litorâneos como Assinie. Ao recordar a visita à Basílica de Nossa Senhora da Paz, em Yamoussoukro, foi categórico: “Por fora ela é linda, por dentro ela é magnífica. Acho que é uma das coisas mais lindas que já vi na minha vida”. Sobre Assinie, destacou a atmosfera de descanso proporcionada pelo litoral. E terminou seu relato com uma recomendação simples aos brasileiros interessados em conhecer o continente: “Para quem um dia sonha em conhecer a África, acho importantíssimo começar pela Costa do Marfim”.

Assinie, um dos principais destinos de praia da Costa do Marfim. Foto: PhotoBasile Zoma / Flickr

Conexão aérea facilita a viagem a Abidjan

A conectividade foi outro tema central do encontro. Embora Brasil e Costa do Marfim ainda não tenham um voo sem escalas, uma nova operação da TAAG Angola Airlines passou a facilitar o acesso a Abidjan via Luanda. Altamiro Médici Severino, diretor-executivo da AirlinePros Brasil, explicou que a companhia passou a operar a conexão entre Luanda e Abidjan em abril de 2026, permitindo combinar o trecho que parte de São Paulo para a capital angolana com a continuação da viagem até a Costa do Marfim.

“Falar de conectividade aérea é fundamental para a indução dos negócios e da economia dos países”, afirmou.

Altamiro Médici Severino (diretor-executivo da AirlinePros Brasil). Foto: Aida Lima

Segundo Altamiro, atualmente há opções saindo do Brasil às quartas e sextas-feiras, com chegada a Luanda no dia seguinte e conexão para Abidjan. O primeiro trecho dura aproximadamente 8h45, enquanto a viagem entre Luanda e Abidjan leva cerca de 3h45. No retorno, ainda pode ser necessário pernoitar em Luanda, mas a expectativa é de que o aumento das frequências permita melhorar as conexões. Há ainda a possibilidade de transformar a escala em uma segunda viagem. A TAAG permite stopover em Luanda de até cinco dias, tanto na ida quanto na volta, sem acréscimo no valor da tarifa.

Operadoras começam a colocar o destino nas prateleiras

A maior facilidade de acesso já começa a chegar aos produtos oferecidos ao viajante brasileiro. Newton Ferreira, fundador e diretor da Newton Turismo, conheceu a Costa do Marfim em 2025 e passou a desenvolver pacotes para o destino. Com 45 anos de atuação no mercado, o operador contou que decidiu viajar antes de comercializar os roteiros. “Eu não vendo nada que eu não conheço”, disse. Para Newton, o principal desafio ainda é o desconhecimento do público brasileiro sobre o país. Ao mesmo tempo, é justamente a experiência cotidiana que pode tornar a viagem atraente.

“O mais importante da África é você mergulhar na cultura, na gastronomia, no dia a dia e sair junto com a população”, afirmou. “Pensem na Costa do Marfim com carinho. Pensem na Costa do Marfim com os valores que ela tem.”

Do litoral às florestas: um país para percorrer

Parque Nacional Banco em Abidjan. Foto divulgação @bureaudutourismebrasil

O geofísico marfinense Yayá Touré apresentou a diversidade geográfica do país e mostrou como uma viagem pode combinar diferentes regiões e experiências. No sul estão Abidjan e destinos de praia. Yamoussoukro, capital política, reúne alguns dos cartões-postais mais conhecidos do país, enquanto outras regiões permitem explorar montanhas, cachoeiras, florestas, parques nacionais, tradições locais e diferentes expressões culturais. A diversidade também está ligada à população. A Costa do Marfim reúne mais de 60 grupos étnicos, cada um com tradições e manifestações próprias, fator que amplia as possibilidades de roteiros culturais pelo país. A natureza aparece como outro ponto forte, com áreas protegidas e parques nacionais que ajudam a preservar ecossistemas e espécies da África Ocidental.

Mapa: Wikimedia

Turismo também é reencontro com as origens

A ligação histórica entre Brasil e África apareceu em diferentes momentos da programação. Adekunle Aderonmu, escritor e presidente do Centro Cultural Africano, abordou ancestralidade, identidade e pertencimento e defendeu o turismo como ferramenta para ampliar o conhecimento dos brasileiros sobre o continente.

Adekunle Aderonmu (escritor e presidente do Centro Cultural Africano). Foto: Aida Lima

Para ele, viajar também pode ser uma forma de recuperar referências culturais apagadas ou pouco conhecidas. “O Brasil é um país com 56% de população afrodescendente que precisa conhecer sua origem”, afirmou durante a palestra. O tema do chamado turismo de retorno também esteve presente na participação do advogado Helton Fesan, descendente de marfinenses, que relacionou viagens, ancestralidade e o resgate da identidade africana.

Sabores da Costa do Marfim

E falar de identidade marfinense sem passar pela cozinha seria deixar uma parte importante da viagem de fora. A empresária e chef Véronique Vonan, proprietária dos restaurantes Le Placali Abouré, apresentou sua trajetória no setor e mostrou como a gastronomia pode preservar tradições e também funcionar como instrumento de promoção turística. No almoço, um dos destaques foi o placali, preparação tradicional à base de mandioca fermentada, geralmente servida com molhos ou ensopados. A culinária marfinense tem ainda pratos como o attiéké, também preparado a partir da mandioca fermentada; o garba, que combina attiéké com atum; e o alloco, feito com banana-da-terra frita. A chef marfinense Sarah Koné foi responsável pela curadoria do almoço típico servido aos convidados.

Placali. Foto divulgação @bureaudutourismebrasil

Véronique Vonan e Adekunle Aderonmu. Foto: Divulgação

Cultura para fechar o encontro

A programação terminou com moda, música, dança e uma feira multicultural. O desfile de moda africana teve curadoria do estilista Maycon Clinton, fundador da Namib Pro Models Brasil & África e idealizador da Africa Fashion Week Tribal. Apresentações culturais levaram ao evento música e danças tradicionais da África Ocidental, enquanto a feira reuniu representantes de países como Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Angola, Senegal, Sudão, Moçambique, Quênia, Togo e Brasil.

Foto: Aida Lima

Entre palestras, comida, histórias pessoais e discussões sobre novas ligações aéreas, a terceira edição do Dia Marfinense-Brasileiro deixou uma mensagem especialmente interessante para quem viaja: a Costa do Marfim ainda é um destino pouco explorado pelo mercado brasileiro, mas trabalha para encurtar essa distância. E, para um país que combina grandes cidades, praias, natureza, gastronomia e uma ligação histórica profunda com o Brasil, ser mais conhecido por aqui pode ser apenas uma questão de tempo.

Terceira edição do Dia Marfinense-Brasileiro, realizada na sede da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo. Foto: Divulgação

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