Florença construiu boa parte de sua fama olhando para o passado. Basta caminhar pelo centro histórico para encontrar cúpulas, palácios e obras-primas que ajudaram a mudar os rumos da arte ocidental. O recém-inaugurado W Florence, porém, prefere encarar esse patrimônio por um ângulo menos solene. Aberto em julho de 2025, o hotel aposta em cores intensas, formas geométricas e ambientes sociais para levar uma dose de irreverência ao coração da capital da Toscana.
Primeiro empreendimento da marca W na cidade e segundo na Itália, depois do W Rome, o hotel ocupa o antigo Grand Hotel Majestic, na Piazza dell’Unità Italiana. A localização é estratégica: fica a poucos passos da estação Santa Maria Novella, da basílica de mesmo nome e das ruas comerciais do centro. O Duomo, a Piazza della Signoria e a Ponte Vecchio também podem ser alcançados em uma caminhada.
O prédio, projetado pelo arquiteto florentino Lando Bartoli em 1968, é um exemplar da arquitetura racionalista-modernista, marcado pela fachada de pedra, pelas janelas estreitas e pelos elementos verticais de bronze. Em vez de tentar disfarçar essa origem relativamente recente sob uma maquiagem renascentista, a reforma decidiu assumi-la. O escritório italiano Genius Loci Architettura cuidou da recuperação arquitetônica, enquanto os interiores ficaram a cargo do estúdio AvroKO.
O resultado é um hotel que mistura referências dos anos 1960 e 1970 com materiais e símbolos associados à tradição florentina. Verdes profundos, vermelho Médici e azul-real aparecem ao lado de mármores, madeiras laqueadas, tecidos de veludo e padrões gráficos. Nos quartos, instalações luminosas sobre as camas lembram os arcos encontrados em construções como o Palazzo Pitti e o Corredor Vasariano.
A recepção já dá uma pista de que o W Florence não pretende ser discreto. Um grande mural do Adam Ellis Studio representa uma espécie de Jardim da Babilônia florentino, povoado por animais exóticos que fizeram parte da coleção da família Médici. A obra mistura essas referências históricas com elementos contemporâneos da moda e da cultura italiana.
Uma praça dentro do hotel
O centro da vida social é o W Lounge, integrado a um pátio interno parcialmente coberto. O espaço funciona como uma pequena piazza: recebe hóspedes e moradores, muda de atmosfera ao longo do dia e pode abrigar apresentações musicais, encontros e eventos de moda.

O pátio ocupa uma área que já foi o mezanino de um banco. A transformação preservou a amplitude do ambiente, mas acrescentou jardins verticais, plantas e móveis de inspiração retrô. Entre os destaques está um bar circular revestido de pedra vulcânica azul, que conecta o lounge, o restaurante e a área externa. Parte do mobiliário faz referência ao trabalho de nomes do design industrial italiano, como Joe Colombo.
O hotel possui 119 acomodações, entre elas 16 suítes e uma penthouse. Janelas amplas, varandas e terraços emolduram diferentes perspectivas do centro de Florença. No topo da categoria está a Penthouse Suite, com 115 metros quadrados de área interna e um terraço privativo de aproximadamente 140 metros quadrados. O espaço tem áreas de estar e jantar ao ar livre, espreguiçadeiras e vista para o Duomo, as Capelas Médici e os telhados de terracota da cidade.

Sabores italianos e influências asiáticas
A gastronomia acompanha a proposta cosmopolita. O Akira Back leva a Florença a cozinha do chef coreano radicado nos Estados Unidos, conhecido por combinar técnicas japonesas, referências de sua origem coreana e influências reunidas durante sua carreira internacional. O restaurante ocupa o térreo e aposta em uma apresentação visual tão elaborada quanto o próprio hotel.

Já o Tratto olha para a culinária italiana com menos formalidade. O conceito foi criado pelo grupo da Trattoria Contemporanea, de Lomazzo, próximo ao Lago de Como, e reinterpreta receitas e ingredientes conhecidos por meio de combinações menos convencionais. O restaurante também atende o café da manhã e se estende ao serviço do W Lounge e do pátio.
No último andar, o Zefiro Rooftop completa o roteiro gastronômico. Aberto sazonalmente, o terraço recebeu o nome do vento oeste da mitologia grega, associado à chegada da primavera e representado em “O Nascimento de Vênus”, de Botticelli. Entre jardins e áreas ao ar livre, o espaço oferece pequenas porções, bar e programação musical, com uma vista que se estende da Basílica de Santa Maria Novella à cúpula de Brunelleschi.

Para os momentos de pausa, há ainda uma área de bem-estar com sauna, banho a vapor e sala de relaxamento, além da academia FIT, aberta 24 horas. O hotel também oferece o serviço Whatever/Whenever, assinatura da marca, que auxilia os hóspedes com reservas, transportes e pedidos personalizados durante a estadia.
O W Florence não tenta competir com os palácios renascentistas nem reproduzir artificialmente a Florença dos Médici. Sua proposta é justamente ocupar outra camada da história da cidade: a de um edifício dos anos 1960 transformado em ponto de encontro contemporâneo. Em um destino onde o passado está em toda parte, o hotel mostra que até a tradição pode ganhar novas cores.
Serviço
W Florence
Endereço: Via del Melarancio, 1, Piazza dell’Unità Italiana, Florença, Itália
Acomodações: 119, incluindo 16 suítes e uma penthouse
Destaques: Akira Back, Tratto, W Lounge, Courtyard Lounge e Zefiro Rooftop
Site: www.wflorence.com