O que acontece quando os solos de guitarra, as linhas vocais e os refrões mais conhecidos do rock passam para as cordas de um violino? O Corde Vita, formado pelos violinistas Dhouglas Umabel, Bruno Esperon e Robert Cruz, respondeu à pergunta na noite de sexta-feira, 14 de agosto, ao se apresentar no Tokio Marine Hall, em São Paulo. Durante cerca de 90 minutos, o espetáculo transformou canções que atravessaram gerações em uma experiência instrumental com atmosfera cinematográfica. Com direção artística de Juliano K-lcinha e realização da Wow Entretenimento, o projeto combina elementos da música erudita com a energia dos grandes shows de rock. No palco, os violinos assumem o papel normalmente ocupado pela voz e pela guitarra, enquanto a banda e os violoncelos acrescentam ritmo, peso e profundidade aos arranjos.
O repertório percorre músicas de artistas e bandas como Queen, The Beatles, Led Zeppelin, Journey, Bon Jovi, Guns N’ Roses, Michael Jackson e Adele. São canções conhecidas por públicos de diferentes idades, reconstruídas sem o uso da voz e apresentadas com novos arranjos.Entre as versões já registradas pelo Corde Vita estão “Kashmir”, do Led Zeppelin; “November Rain”, do Guns N’ Roses; “Don’t Stop Believin’”, do Journey; “Always” e “It’s My Life”, do Bon Jovi; “They Don’t Care About Us”, de Michael Jackson; e “Rolling in the Deep”, de Adele. Parte desse trabalho integra o álbum ao vivo Corde Vita — Rock (Live), lançado em 2026.



Os violinistas Dhouglas Umabel, Bruno Esperon e Robert Cruz dividem o protagonismo, alternam solos e conduzem as melodias com uma postura cênica mais próxima das bandas que lotam arenas. A formação é acompanhada por uma banda-base ao vivo – com guitarra, bateria, piano, além de uma seção especial de seis violoncelos, responsável por ampliar a camada orquestral do espetáculo.
Nas gravações lançadas pelo grupo em 2026, a banda conta ainda com Felipe Dreyer na bateria, Miguel Tejera no baixo, Adriano Sperandir na guitarra, Cristiano Tuti na percussão e Adriano Wigger ao piano. A combinação cria uma espécie de ponte entre a sala de concertos e o palco de rock: a bateria mantém a pulsação das versões originais, o baixo reforça a potência das músicas e os violoncelos envolvem os solos dos violinistas com uma sonoridade mais densa e dramática.
“Preservamos a essência dos grandes clássicos do pop e do rock, mas os apresentamos sob uma nova perspectiva”, explica Juliano K-lcinha. Segundo o diretor, o objetivo é mostrar que a música instrumental pode ser acessível, contemporânea e capaz de dialogar também com quem não costuma frequentar concertos eruditos.
No Corde Vita, a experiência não se limita aos instrumentos. Iluminação, projeções visuais e movimentos de palco acompanham a progressão do repertório. Os momentos mais delicados ganham luzes e imagens de atmosfera contemplativa, enquanto as músicas mais intensas recebem cores fortes, mudanças rápidas e uma dinâmica inspirada nos grandes espetáculos internacionais.
A escolha do Tokio Marine Hall, uma das principais casas de shows da capital paulista, ajudou a reforçar essa proposta. A estrutura do espaço permitiu integrar música, luz e projeções em grande escala, transformando o concerto em uma experiência simultaneamente sonora e visual.
A apresentação em São Paulo também marcou uma nova etapa na trajetória do projeto. Além dos shows realizados no Brasil, o Corde Vita acumula mais de 6 milhões de visualizações em plataformas digitais, onde suas interpretações aproximam o repertório instrumental de uma audiência mais ampla.
O maior mérito do espetáculo talvez esteja justamente nessa mistura. O Corde Vita não tenta transformar rock em música erudita nem vestir canções populares com uma solenidade desnecessária. Mostra apenas que a distância entre uma orquestra e uma banda de arena pode ser muito menor do que parece. Nas mãos certas, quatro cordas e um arco são capazes de produzir tanta eletricidade quanto uma guitarra.