O sósia

Dizem que sou parecido com o ator Bruno Mazzeo. Há tempos escuto isso. Acho que tem certa semelhança mesmo. Muita gente já me confundiu. A primeira vez foi uma senhora que trabalhava em uma banca de jornal perto de casa. Ela me perguntou se eu fazia propaganda na televisão. “Quem dera, minha senhora”, respondi. Sempre achei graça dessa história e, com o tempo, aprendi até a tirar vantagem da minha fisionomia famosa. Certa vez, fui a uma festa à fantasia em Ouro Preto. Mas eu não tinha fantasia e fui com camiseta e calça jeans. Ao chegar no local da festa, não queriam me deixar entrar.
– Sem fantasia não podemos liberar a sua entrada, disseram.
– Mas eu estou fantasiado sim. Não está vendo? Eu estou de Bruno Mazzeo, argumentei. Acharam tanta graça que me deixaram entrar. No final da festa, na maior cara de pau, até participei do desfile das melhores “fantasias” para concorrer a um prêmio. Não ganhei por pouco.
O auge da minha carreira de sósia de famoso, porém, aconteceu recentemente em uma viagem a Bonito, no Mato Grosso do Sul. Eu estava fazendo um passeio de flutuação em uma daquelas nascentes de água cristalina, nadando tranquilamente entre peixinhos coloridos. Quando saí da água e tirei a máscara de mergulho, havia um grupo de turistas no deque, na beira do rio. Um sujeito se aproximou. Olhou na minha cara, apontou o dedo e disse:
–Te conheço de algum lugar. Acho que é da televisão.
– Já sei. Você está achando que eu sou o Bruno Mazzeo, né? Sou apenas parecido, esclareci.
– Não. É você simmm… A voz é igual!, ele insistiu.
– É normal. Sempre me dizem isso. Mas não sou não, tentei novamente.
– Ah, Bruno, para! Posso tirar uma foto com você?

Desisti. Fizemos a foto. Todos os outros turistas do grupo se juntaram em uma rodinha. Uma moça quis fazer foto também. E mais um. E outro… e assim até com o grupo inteiro. Olha, Bruno, adorei você de professor Raimundo! Ficou melhor do que o original, alguém disse. Ô, Bruno, não vai fazer como a Regina Casé, que veio aqui em Bonito e blá, blá, blá… Fui embora recebendo acenos. O guia que estava comigo, o Bôca, chorava de rir. Não acho que fiz mal. Ficaram todos tão felizes. E eu experimentei meus cinco minutos de fama.

Já em um hotel modesto em Fortaleza a gafe foi minha. Um moça bonita entrou comigo no elevador. Falei bom-dia e comentei:
– Já te disseram que você parece com a Camila Pitanga?
– É porque sou eu mesma!
Morri de vergonha. Não sabia onde esconder a cara. Pedi mil desculpas. A atriz estava na cidade em turnê com uma peça de teatro. Mas ela foi simpática, sorriu e devolveu:
– E você? Já te disseram que parece o Bruno Mazzeo?

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